COE Santander debate políticas de diversidade em reunião com o banco
- douglassrossi
- há 2 horas
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Programas voltados para mulheres, negros, LGBTQIA+ e jovens foram apresentados ao movimento sindical

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reuniu com a direção do banco, na manhã desta quarta-feira (2), para discutir as políticas de diversidade da instituição. O encontro ocorreu de forma híbrida, com participação presencial na sede do Santander em São Paulo e de alguns dirigentes sindicais de forma online. Durante a reunião, o banco apresentou algumas das iniciativas implementadas em 2024 para promover a diversidade e inclusão.
Desenvolvimento de mulheres
O Santander destacou a criação do programa "Lidere a sua carreira" e o lançamento do programa "Impulsione a sua carreira", voltado para o desenvolvimento de mulheres e para a equidade de gênero e raça em cargos de especialista. No Santander, as mulheres representam 59% de toda a organização, mas elas ainda têm pouca representação nos níveis de liderança. Por isso, o objetivo é ampliar a representatividade de mulheres nesses níveis.
Segundo o banco:
114 mulheres participaram das edições de 2024 dos programas de desenvolvimento;
54,4% dos membros do Conselho de Administração são mulheres;
35,6% das posições de alta liderança são ocupadas por mulheres;
43% das posições de liderança são ocupadas por mulheres.
Além disso, foram estabelecidos encontros bimestrais com o grupo de afinidade para manter a pauta da inclusão de mulheres na liderança sempre ativa e sustentável.
Programas voltados para profissionais negros
Com o lema "Talento não tem cor", o Santander reforçou seu compromisso com o crescimento profissional de pessoas negras. Foram lançadas as primeiras edições dos programas "Lidere Sua Carreira" para líderes e "Impulsione Sua Carreira" para especialistas.
Os números apresentados incluem:
62 profissionais negros participaram das edições de 2024 dos programas;
36,6% dos funcionários do banco são negros;
22% dos cargos de liderança são ocupados por negros;
12,5% das posições de alta liderança são ocupadas por negros.
Jovens talentos
O banco também reformulou seus programas de estágio e jovem aprendiz, priorizando a contratação de pessoas negras.
Os principais indicadores divulgados foram:Mais de 400 gestores participaram das sessões de sensibilização sobre diversidade;
80,7% dos jovens aprendizes são negros;
80,2% dos estagiários são negros;
64,6% dos estagiários efetivados são negros;
69% dos jovens aprendizes efetivados são negros;
100 jovens aprendizes contam com bolsa de estudo ativa.
Inclusão de pessoas com deficiência
Foram anunciadas vagas afirmativas e a criação de um banco de talentos para pessoas com deficiência. Além disso, o banco implementou um programa de contratação associado a ações de formação.
Os números apresentados incluem:
2.186 colaboradores com deficiência;
14% de promoções para pessoas com deficiência no último ano;
50 profissionais com deficiência participaram do programa de desenvolvimento.
Promoção da diversidade LGBTQIAPN+
Durante a reunião, também foram apresentadas ações voltadas para a comunidade LGBTQIAPN+, como:
A Semana de Saúde e Bem-Estar da Pessoa LGBTQIAPN+;
Uma série sobre bem-estar da população LGBTQIAPN+;
Uma live sobre saúde e bem-estar, com participação de médicos, executivos do banco e especialistas no tema;
Atividades do Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, realizadas em junho para promover engajamento, letramento e visibilidade.
Outras iniciativas
O banco também mencionou o fortalecimento dos Grupos de Afinidade e o lançamento de materiais e campanhas para engajar os funcionários na pauta da diversidade.
Algumas das ações incluem:
Produção de vídeos com funcionários de diferentes gerações compartilhando experiências;
Lançamento da Cartilha de Letramento Geracional;
Campanha "Vocabulário Anticapacitista" para conscientizar sobre o uso adequado de termos relacionados à inclusão.
Resultados do primeiro Censo da Diversidade
Para aprofundar o conhecimento sobre seus funcionários, o Santander realizou seu primeiro Censo da Diversidade, que incluiu uma pesquisa sobre percepção de inclusão e pertencimento, além da realização de grupos focais. Os principais indicadores foram:
51% de participação no censo;
Realização de 5 grupos focais, com mais de 20 participantes;
Nota 8,7 no índice de satisfação (NSAT);
83% de favorabilidade na pesquisa.

A COE Santander reforçou a importância de garantir que essas ações resultem em avanços concretos para os funcionários e que o banco mantenha o compromisso com a inclusão e equidade dentro da instituição.
"O debate sobre diversidade e inclusão deve ser contínuo e acompanhado de medidas concretas que garantam avanços reais. O Santander apresentou algumas iniciativas importantes, mas seguimos cobrando metas mais ousadas e ações que ampliem ainda mais a representatividade, especialmente nos cargos de liderança. Também reforçamos a necessidade de acompanhar de perto a efetividade desses programas, garantindo que não fiquem apenas no papel, mas se traduzam em mudanças estruturais dentro do banco", afirmou a coordenadora da COE, Wanessa Queiroz.
Ela também destacou que as desigualdades salariais entre homens e mulheres ainda são expressivas, principalmente nos altos cargos, conforme apontado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A nova legislação brasileira de 2023 prevê mecanismos para combater essa disparidade, mas, segundo o Dieese, a paridade salarial pode levar até 46 anos para ser alcançada se não houver medidas mais efetivas.
"Diante desse cenário, é fundamental a manutenção da mesa de igualdade de oportunidades no banco para continuarmos levando as reivindicações dos empregados e contribuindo para a construção de novos direitos. Precisamos garantir que as políticas implementadas tragam mudanças reais e acelerem esse processo de equidade dentro da instituição", concluiu Wanessa.
A dirigente do Sintrafi Floripa, Jozi Fabiani Mello, que é representante da Fetrafi-SC na Comissão de Empresa do Santander e estava na reunião, pondera que ficou bastante preocupada quando se trouxe a questão dos PCDs, não apenas em relação ao programa de letramento, mas também sobre a política de acessibilidade, que é muito importante. Para ela, “é urgente criar ambientes de trabalho adaptados às reais necessidades dos portadores de necessidades especiais.”
Além disso, a dirigente ressalta que “sobre a cartilha geracional, ela vem de forma educativa trabalhar a diferença de gerações entre quem tem conhecimento da tecnologia (mais jovens) e quem tem mais experiência. Esperamos que o banco equilibra as contratações buscando contratar de forma igualitária pessoas em diferentes faixas etárias em sua relação de emprego para não cometer etarismo.”
A próxima reunião será realizada em maio.
Fonte: Contraf/CUT, com edição de Sintrafi Floripa
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